Arquivos Mensais: março \29\UTC 2016

Por aclamação, PMDB oficializa rompimento com governo Dilma

Os seis ministros peemedebistas serão orientados a entregar seus cargos.
Saída do PMDB pode desencadear desembarque de outras siglas aliadas.

Nathalia Passarinho e Fernanda CalgaroDo G1, em Brasília

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O Diretório Nacional do PMDB decidiu nesta terça-feira (29), por aclamação, romper oficialmente com o governo da presidente Dilma Rousseff. Na reunião, a cúpula peemedebista também determinou que os seis ministros do partido e os filiados que ocupam outros postos no Executivo federal entreguem seus cargos.

O vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer, não participou da reunião que oficializou a ruptura com o governo sob o argumento de que não desejava “influenciar” a decisão. No entanto, ele teve participação ativa na mobilização pelo desembarque do partido e passou toda a segunda-feira (28) em reuniões com parlamentares e ministros do PMDB em busca de uma decisão “unânime”.

 

PMDB DEIXA GOVERNO
Partido decidiu entregar cargos.

Comandada pelo primeiro vice-presidente do PMDB, senador Romero Jucá (PMDB-RR), a reunião durou menos de cinco minutos. Após consultar simbolicamente os integrantes do partido, Jucá decretou o resultado da votação.

“A partir de hoje, nessa reunião histórica para o PMDB, o PMDB se retira da base do governo da presidente Dilma Rousseff e ninguém no país está autorizado a exercer qualquer cargo federal em nome do PMDB”, enfatizou.

Após a reunião, Jucá disse que, com a decisão, o PMDB deixava bem clara a sua posiçào em relação ao governo e disse que quem quiser tomar uma decisão individual terá que avaliar as consequências.

“A partir de agora, o PMDB não autoriza ninguém a exercer cargo no governo federal em nome do partido. Se, individualmente, alguém quiser tomar uma posição, vai ter que avaliar o tipo de consequência, o tipo de postura perante a própria sociedade. Para bom entendedor, meia palavra basta. Aqui, nós demos hoje a palavra inteira”, afirmou.

A decisão do PMDB aumenta a crise política do governo e é vista como fator importante no processo de impeachment de Dilma. Há a expectativa de que, diante da saída do principal sócio do PT no governo federal, outros partidos da base aliada também desembarquem da gestão petista.

Atualmente, o PMDB detém a maior bancada na Câmara, com 68 deputados federais. O apoio ao governo, porém, nunca foi unânime dentro da sigla e as críticas contra Dilma se intensificaram com o acirramento da crise econômica e a deflagração do processo de afastamento da presidente da República.

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Resumo da reunião
Presenças: o presidente nacional do partido e vice da República, Michel Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e os seis ministros do partido não compareceram. O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), estava presente.
Local: o evento foi realizado no plenário 1 do Anexo 2, o maior da Câmara dos Deputados. O plenário, com capacidade para 138 pessoas sentadas, mas o número de presentes era superior porque a maioria estava de pé.
– Duração: a reunião durou 4 minutos e 12 segundos. Não houve discursos, somente um pronunciamento do senador Romero Jucá (PMDB-RR), que presidiu a reunião.
A decisão: a moção aprovada prevê que o partido se desvincula imediatamente do governo e entrega todos os cargos que detém na administração federal.
Aprovação: a aprovação da saída do governo se deu por aclamação, sem votação. Todos os presentes levantaram as mãos sinalizando concordância com a decisão. Após a aprovação, houve gritos de “Fora PT”.

Ministros
Na reunião desta terça, os peemedebistas decidiram que os ministros da legenda que descumprirem a determinação de deixar o governo poderão sofrer sanções, como expulsão do partido.

Após a decisão do Diretório Nacional do PMDB, o G1 procurou as assessorias dos ministérios da Agricultura, da Aviação Civil, de Portos, de Ciência e Tecnologia, de Minas e Energia e da Saúde.

Por meio da assessoria, o Ministério da Saúde informou que Marcelo Castro permanecerá “por enquanto” tanto no cargo de ministro quanto no PMDB e aguardará os “próximos passos do partido”, como o prazo que será dado pela legenda para que os ocupantes de cargos no Executivo deixem as vagas. Pela decisão aprovada pelo diretório, os peemedebistas devem sair “imediatamente”.

Até esta segunda-feira, o PMDB ocupava sete cadeiras no primeiro escalão do governo Dilma. No entanto, Henrique Eduardo Alves, um dos peemedebistas mais próximos de Michel Temer, se antecipou à decisão da cúpula e entregou seu cargo a Dilma.

Dilma também lançou mão dos últimos esforços para tentar resgatar o apoio do partido. Na manhã de segunda, ela chamou ao seu gabinete no Palácio do Planalto seis dos sete ministros do PMDB para avaliar o cenário. No entanto, no fim do dia, Henrique Alves, um dos presentes ao encontro, apresentou a sua carta de renúncia.

Apesar do desembarque, Temer continuará na Vice-Presidência da República sob o argumento de que foi eleito pela população na chapa de Dilma e de que não ocupa, portanto, cargo de submissão à presidente.

Afastamento
A decisão de afastamento já estava tomada, mas o PMDB decidiu dar uma espécie de “aviso prévio” ao governo. Reunião da convenção nacional do PMDB no dia 12 de março foi marcada por discursos em defesa do impeachment de Dilma e do rompimento com o governo.

Na ocasião, ficou decidido que o partido anunciaria em 30 dias se desembarcaria ou não do governo. Também ficou estabelecido que o PMDB não assumiria novos ministérios até que o fosse definido se haveria o rompimento.

No entanto, dias depois, a presidente Dilma ignorou a decisão e empossou o deputado licenciado Mauro Lopes (PMDB-MG) como ministro da Secretaria de Aviação Civil. A nomeação foi vista como uma afronta pelo partido, que abriu um processo no seu Conselho de Ética para expulsá-lo da legenda. O episódio ajudou a agravar a crise e acelerou a decisão do partido.

Escalada da crise
A relação do PMDB com o governo do PT tem se deteriorado nos últimos anos. Quando Dilma se preparava para disputar o segundo mandato, o partido deu mostras claras de que estava rachado quanto ao apoio à petista.

Na época, em junho de 2014, a manutenção da aliança foi aprovada pela convenção nacional do PMDB, mas recebeu mais de 40,8% de votos contrários. A ala dissidente reclamava que o partido não era ouvido pelo governo federal e que os ministros da legenda não tinham real poder de comando.

Ao longo do primeiro ano do segundo mandato de Dilma, a crise se agravou. O primeiro embate entre PT e PMDB ocorreu na disputa pela presidência da Câmara, quando o governo federal iniciou uma campanha ostensiva para que Arlindo Chinaglia (PT-SP) vencesse a eleição e derrotasse o candidato peemedebista Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que se elegeu em primeiro turno.

Sob o comando Cunha, a Câmara derrotou o Planalto em diversas ocasiões neste ano, com a votação de matérias desfavoráveis ao governo. Além disso, no ano passado, houve na Casa a instalação da CPI da Petrobras, para investigar o escândalo de corrupção na estatal.

Para tentar conter a rebelião na base, a presidente promoveu, em 2015, uma reforma ministerial para ampliar o espaço do PMDB no governo, que chegou a ter sete ministérios. No entanto, a estratégia não foi bem sucedida.

Para agradar os parlamentares na Câmara, o governo entregou ao líder da bancada, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), a incumbência de indicar nomes para duas pastas, incluindo a da Saúde, com o maior orçamento da Esplanada. Essa aproximação descontentou ainda mais a ala rebelde do partido, que se voltou contra Picciani quando ele indicou integrantes menos críticos a Dilma para a comissão do impeachment.

Ele chegou a ser destituído do posto em dezembro por oito dias em uma articulação patrocinada diretamente por Temer e Cunha, mas conseguiu reaver o posto com o apoio da maioria.

Para ser reeleito neste ano, foi preciso uma atuação direta do Planalto para garantir a ele votos suficientes, inclusive com a exoneração temporária do ministro da Saúde, Marcelo Castro, para reassumir como deputado e votar a favor de Picciani.

Apesar da entrega de cargos, a ala do PMDB descontente com o governo ganhou força com a queda continuada de popularidade da presidente, agravada pela escalada de denúncias relacionadas à Operação Lava Jato.

A moção aprovada pelo diretório nacional do PMDB (Foto: Reprodução)A moção aprovada pelo diretório nacional do PMDB (Foto: Reprodução)

Alckmin e Aécio são hostilizados na chegada à manifestação na Paulista

Políticos do PSDB foram chamados de ‘oportunistas’ por algumas pessoas.
‘Não vi nenhuma manifestação contrária’, afirmou Alckmin.

Do G1 São Paulo

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) ao lado do presidente nacional do partido, senador Aécio Neves (MG) na manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, contra o governo Dilma Rousseff, neste domingo (13), pedindo o impeachment da presiden (Foto: Filipe Araújo/Estadão Conteúdo)O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) ao lado do presidente nacional do partido, senador Aécio Neves (MG) na manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, contra o governo Dilma Rousseff, neste domingo (13), pedindo o impeachment da presiden (Foto: Filipe Araújo/Estadão Conteúdo)

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador Aécio Neves, ambos do PSDB, foram recebidos com xingamentos por alguns manifestantes quando eles chegaram na Avenida Paulista na tarde deste domingo (13), segundo relatos dos jornais Folha de S. Paulo, O Globo e da rádio CBN. Os dois também foram aplaudidos por outros manifestantes.

 

PROTESTOS DE 13/3
Todos os estados registraram atos.

Os dois políticos se encontraram no Palácio dos Bandeirantes e foram juntos para a Paulista. Desceram em uma van atrás do Museu da Arte de São Paulo (Masp) onde foram recebidos por manifestantes. Algumas pessoas gritaram “oportunistas” para eles. Uma mulher gritou “Fora Aécio! Fora vagabundo! Você é lixo também” (ouça o áudio da CBN).

Citado na Operação Lava Jato, Aécio Neves afirmou: “Todas as citações têm que ser investigadas, e todas elas são falsas”, disse Aécio.

A reportagem da GloboNews perguntou para Aécio Neves: “O que o senhor achou da reação das pessoas?”. O senador respondeu: “É extremamente poisitiva, hoje estamos unidos em um só objetivo, terminar o governo Dilma”.

A GloboNews perguntou para Alckmin: “Houve manifestações contrárias ao senhor, não é, governador?”. Alckmin disse: “Não, eu não vi nenhuma manifestação. É uma grande manifestação popular, é preciso saber ouvi-la e agir para ajudar o país a mudar o mais rápido possível.”

Os dois foram convidados pelo Movimento Brasil Livre para discursar no carro de som, mas não aceitaram. Eles deram entrevistas na avenida e logo foram embora.

Segundo nota do PSDB, “Aécio e Alckmin foram convidados por movimentos sociais e entidades. No entanto, nunca estiveram previstos discursos de qualquer um deles”. Ainda acordo com o partido, “o governador Geraldo Alckmin, os senadores Aécio Neves e Aloysio Nunes e demais lideranças do PSDB ficaram extremamente satisfeitos com a recepção da população que compareceu na Avenida Paulista neste domingo”.

Aécio Neves e o governador Alckimin estiveram na manifestação da Av. Paulista, em São Paulo, contra o Governo Dilma Rousseff, neste domingo (13) (Foto: Marcelo D. Sants/FramePhoto/Estadão Conteúdo)Aécio Neves e o governador Alckimin estiveram na manifestação da Av. Paulista, em São Paulo, contra o Governo Dilma Rousseff, neste domingo (13) (Foto: Marcelo D. Sants/FramePhoto/Estadão Conteúdo)

Este é o primeiro protesto a favor do impeachment que conta com a presença do governador Geraldo Alckmin. Já Aécio Neves participou de atos em Belo Horizonte, um deles na manhã deste domingo, antes de rumar para São Paulo. Nos últimos dias, o PSDB chegou a divulgar vídeo em que o senador convoca a população para participar dos atos deste domingo.

A comitiva também é integrada, entre outros, pelo senador Aloysio Nunes e pelos deputados federais Antonio Imbassahy e Paulinho da Força, do Solidariedade.

Alckmin afirmou que “é preciso uma solução rápida para retomar o crescimento” e chamou o dia de protestos de “dia da democracia”. “Temos certeza de que vamos ter um show de civismo, de liberdade de expressão e de democracia”, disse.
Os manifestantes começaram a chegar à Avenida Paulista pela manhã.  na manhã deste domingo (13), para protestar e pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Por volta das 9h, carros de som foram estacionados ao longo de toda avenida. A Polícia Militar chegou às 10h para acompanhar o ato, que começou no início da tarde.

A manifestação reuniu o maior público desde 2015, quando começaram os atos na Paulista pelo impeachment de Dilma. Foram 1,4 milhão segundo a Polícia Militar; entre 2 milhões e 2,5 milhões segundo os organizadores; e 500 mil pelo instituto Datafolha.

Cartazes e faixas pedindo o impeachment de Dilma e em apoio ao juiz Sérgio Moro foram pregados nos postes. Ambulantes vendem bandeiras, apitos, camisetas e bonecos de ar do ex-presidente Lula e da Dilma como presidiários. Sob o Museu de Arte de São Paulo (MASP), manifestantes batiam panelas. Até o momento, a PM não informou balanço de participantes.

No começo da tarde, uma mulher foi detida pela Polícia Militar em frente ao Masp e houve um princípio de confusão (assista ao vídeo acima). O G1 apurou que a mulher arremessou uma garrafa de vidro contra um carro da PM e por isso foi retirada do ato.

Público
A aposentada Joana D’Arc disse que saiu de casa neste domingo para “protestar contra o PT radicalmente”. Ela foi até a Avenida Paulista com amigos do prédio onde mora, da Vila Romana, carregando uma faixa escrito “fora PT”.

Embrulhado em papel de presente, o protético Wagner Paiva foi fantasiado de “amigo do tríplex” para a manifestação. “O Brasil tem que lutar para melhorar”, disse o manifestante quando chegava na Avenida Paulista.

Mulher é detida pela Polícia Militar após princípio de confusão na Avenida Paulista durante protesto contra o governo Dilma (Foto: Gabriela Gonçalves/G1)Mulher é detida pela Polícia Militar após princípio de confusão na Avenida Paulista durante protesto contra o governo Dilma (Foto: Gabriela Gonçalves/G1)
Aposentada Joana D'Arc disse que saiu de casa para "protestar contra o PT radicalmente". Ela participa de ato na Avenida Paulista, em São Paulo (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)Aposentada Joana D’Arc disse que saiu de casa para “protestar contra o PT radicalmente”. Ela participa de ato na Avenida Paulista, em São Paulo (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)
Manifestantes chegam à Avenida Paulista, em São Paulo, para pedir impeachment da presidente Dilma Rousseff (Foto: Gabriela Gonçalves/G1)Manifestantes chegam à Avenida Paulista, em São Paulo, para pedir impeachment da presidente Dilma Rousseff (Foto: Gabriela Gonçalves/G1)
Manifestantes inflam boneco do ex-presidente Lula com roupas de presidiário na Avenida Paulista, em São Paulo, durante ato para pedir impeachment de Dilma Rousseff (Foto: Gabriela Gonçalves/G1)Manifestantes inflam boneco do ex-presidente Lula com roupas de presidiário na Avenida Paulista, em São Paulo, durante ato para pedir impeachment de Dilma Rousseff (Foto: Gabriela Gonçalves/G1)
Camisetas e acessórios vendidos na Avenida Paulista, em São Paulo, durante ato para pedir impeachment de Dilma Rousseff (Foto: Gabriela Gonçalves/G1)Camisetas e acessórios vendidos na Avenida Paulista, em São Paulo, durante ato para pedir impeachment de Dilma Rousseff (Foto: Gabriela Gonçalves/G1)