Dilma é reeleita na disputa mais apertada da história; PT ganha 4º mandato

Roberto Stuckert Filho/PR

Com a vitória de Dilma Rousseff, o PT chega ao 4° mandato seguido no governo federal

Com a vitória de Dilma Rousseff, o PT chega ao 4° mandato seguido no governo federal

Após uma campanha de intensa polarização no segundo turno, a presidente Dilma Rousseff (PT) foi reeleita neste domingo (26) e impediu a virada do senador mineiro Aécio Neves, candidato do PSDB – nunca um candidato que ficou em segundo lugar no primeiro turno foi eleito presidente do Brasil.

Com a vitória, o Partido dos Trabalhadores vai para o quarto mandato seguido e deverá completar 16 anos à frente do governo federal.

Primeira mulher a presidir o país, a petista liderou a votação no primeiro turno, mas passou a maior parte da campanha do segundo turno em situação de empate técnico com Aécio nas pesquisas de intenção de voto.

É a quarta derrota seguida que o PT impõe aos tucanos nas eleições presidenciais. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma venceram José Serra – duas vezes — e Geraldo Alckmin nas eleições de 2002, 2006 e 2010.

Com Dilma, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) também foi reeleito. Os dois tomarão posse do novo mandato em 1º de janeiro de 2015.

Dilma Rousseff
  • Partido: PT
  • Nascimento: 14/12/1947, em Belo Horizonte (MG)
  • Ocupação: Presidente da República
  • Vice: Michel Temer (PMDB)
  • Coligação: Com a força do povo (PT / PMDB / PSD / PP / PR / PROS / PDT / PC do B / PRB)

Trajetória

Nascida em Belo Horizonte (MG) em 14 de dezembro de 1947, Dilma tem 66 anos, é divorciada, tem uma filha e um neto. Durante a ditadura militar (1964-1985), integrou organizações como a VAR-Palmares, que defendia a luta armada. Ficou presa entre 1970 e 1972 e foi torturada.

Depois de solta, mudou-se para Porto Alegre com o companheiro Carlos Araújo e formou-se em ciências econômicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Iniciou o mestrado em economia na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), mas não concluiu.

No período final da ditadura, ajudou a fundar o PDT no Rio Grande do Sul. Trabalhou na Fundação de Economia e Estatística, na Assembleia Legislativa do Estado e na Câmara Municipal da capital gaúcha.

Nos anos 80, foi secretária da Fazenda da Prefeitura de Porto Alegre. Na década seguinte, atuou como secretária de Minas e Energia do governo gaúcho. Filiou-se ao PT em 2001 e integrou o governo Lula desde o início, em 2003. Foi ministra de Minas e Energia e, depois, ministra-chefe da Casa Civil.

Indicada por Lula, disputou sua primeira eleição em 2010 e já como candidata a presidente. Foi ao segundo turno contra José Serra (PSDB) e, com 55,7 milhões de votos, tornou-se a primeira mulher eleita presidente na história do país.

Tomou posse em 1º de janeiro de 2011 e teve altos índices de aprovação nos primeiros anos de gestão. Em março de 2013, a aprovação ao modo de governar da presidente atingiu o recorde de 79%, de acordo com pesquisa CNI/Ibope.

Entre as realizações de seu primeiro mandato, estão o programa Mais Médicos, o Pronatec (Programa Nacional Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), a expansão do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida e investimentos em obras de infraestrutura e mobilidade. Em setembro, o governo comemorou a exclusão do país do Mapa da Fome da ONU (Organização das Nações Unidas).

Protestos, denúncias e problemas na economia

A avaliação do governo piorou após os protestos de junho de 2013, mas os levantamentos continuaram a apontar o favoritismo de Dilma na disputa eleitoral.

A petista passou o ano de 2014 enfrentando denúncias relacionadas à Petrobras, envolvendo o ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa, preso pela Polícia Federal. Ele é suspeito de operar um esquema de desvio de recursos da estatal, com o envolvimento de políticos e partidos.

A presidente também enfrentou críticas em relação à condução da política econômica. O PIB (Produto Interno Bruto) do país teve um crescimento médio de 2% por ano entre 2011 e 2013, o nível mais baixo desde o governo Collor. Nos dois primeiros trimestres de 2014, os resultados do indicador foram negativos, o que deixou o país em uma recessão técnica.

A inflação acumulada nos últimos 12 meses ficou acima do limite máximo da meta do governo, que é de 6,5%. Dilma atribuiu os problemas à crise econômica internacional e afirmou que a condução da política economia teve o mérito de preservar o nível de emprego no país.

Campanha tensa

Durante a campanha do primeiro turno, as pesquisas de intenção de voto chegaram a apontar uma ameaça ao favoritismo de Dilma para conseguir a reeleição. Isso aconteceu entre o fim de agosto e o começo de setembro, quando a ex-senadora Marina Silva foi oficializada como candidata a presidente pelo PSB, após a morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos.

Quando Marina cresceu nas pesquisas, a campanha petista procurou desgastar a imagem da candidata do PSB. A estratégia surtiu efeitos nos dois momentos, com o aumento da rejeição aos nomes da ex-senadora e do tucano.

Marina e outros candidatos derrotados no primeiro turno, como Pastor Everaldo (PSC)Eduardo Jorge (PV)Levy Fidelix (PRTB) e José Maria Eymael (PSDC), preferiram apoiar Aécio na reta final.

Dilma não obteve o apoio formal de partidos de fora de sua coligação, mas conseguiu atrair o ex-presidente do PSB Roberto Amaral. Apesar das dificuldades, a aprovação a seu governo voltou a crescer ao longo da campanha eleitoral.

No segundo turno, com o eleitorado dividido, os primeiros encontros entre Dilma e Aécio nos debates presidenciais foram marcados por muita tensão, com discussões agressivas sobre casos de corrupção. Enquanto o senador mineiro citava a denúncia de desvio de recursos da Petrobras, a presidente apontava casos envolvendo o PSDB, como o mensalão tucano; o fato de o governo mineiro ter construído um aeroporto dentro da fazenda de Múcio Tolentino, tio de Aécio; e acusações de nepotismo.

Ao fim do encontro promovido pelo UOL, pelo SBT e pela rádio Jovem Pan, no último dia 16, a presidente admitiu que o debate havia sido “renhido” e chegou a passar mal quando concedia uma entrevista.

Desafios

Um primeiro desafio para Dilma é como lidar com um país dividido. Esta foi a eleição presidencial mais disputada desde 1989. O tom elevado das duas campanhas, especialmente na reta final, pode fazer com que o diálogo entre a presidente eleita e a oposição fique mais difícil. Para Josias de Souza, blogueiro do UOL, a disputa deixou “um rastro pegajoso de rancor e incompreensões; na oposição, PT ou PSDB tendem a elevar o tom“.

Alguns dos temas abordados com mais veemência nesta eleição não acabaram com a votação de hoje, como a corrupção na Petrobras. As investigações devem avançar em 2015 e podem abalar o PT e partidos da base aliada. No último dia 18, Dilma admitiu que houve desvios de recursos na estatal e prometeu buscar o ressarcimento dos cofres públicos.

Dilma precisará de um novo ministro da Fazenda, que terá o desafio de reaquecer a economia e combater a inflação, sem elevar a taxa de desemprego. Durante a disputa eleitoral, a presidente afirmou que o ministro Guido Mantega não continuará no cargo. O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, deve permanecer como figura influente no governo.

Entre as propostas que Dilma apresentou durante a campanha, está a criação de uma Academia Nacional de Segurança Pública para a formação de policiais. O programa de governo prevê o fortalecimento do controle de fronteiras e de ações de combate a organizações criminosas e à lavagem de dinheiro.

Para levar adiante as medidas propostas, é importante ter maioria no Congresso. A aprovação de projetos de lei depende de maioria simples, ou seja, precisa contar com o apoio de 257 deputados e de 41 senadores. Para promover mudanças na Constituição, são necessários 308 votos na Câmara e 49 no Senado.

A coligação de Dilma — formada por PT, PMDB, PSD, PP, PR, PRB, PDT, PROS e PC do B — elegeu 304 deputados federais e 51 senadores. Ou seja, em tese, ela tem maioria no Congresso, mas precisa evitar deserções de parlamentares da base e conseguir mais alguns votos na Câmara caso pretenda fazer alterações na Constituição.

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26.out.2014 – Simpatizantes e militantes do PT aguardam a chegada da presidente Dilma Rousseff, que fará um pronunciamento após a divulgação do resultado das eleições 2014, no hotel Royal Tulip, em Brasília, neste domingo (26) Ed Ferreira/Estadão Conteúdo

Uma resposta

  1. Roosevelt da Silva Fernandes | Responder

    THE DAY AFTER

    Em um sonoro português, “o dia seguinte”.

    Exatamente isso, uma segunda feira como muitas que já passaram e várias que virão, mas que tem uma particularidade: a presidenta permaneceu no cargo ou seu oponente assumiu seu lugar.

    Na cabeça de cada brasileiro – pelos menos dos conscientes – um festival de promessas e acusações que foram as características do período eleitoral que acabou ontem.

    O que podemos esperar de tudo isso?

    O partido que ganhou (entre outras coisas) poderá congelar todos os processos relacionados à corrupção que envolve seus filiados e, acelerar o julgamento e a punição daqueles ligados ao partido perdedor. Se isso acontecer, pelo menos, ter-se-á a certeza que metade dos corruptos será colocada fora de ação.

    Quanto aos futuros aposentados (fator previdenciário) e os já aposentaram (valor defasados de suas aposentadorias) tenham certeza de que nada vai mudar após a eleição.

    A qualidade da educação oferecida às nossas crianças também não deve sofrer grandes alterações, particularmente os salários dos professores.

    Em relação à saúde – esta com grande chance de acerto – também não deverá ter mudanças significativas. Com a estrutura que temos hoje na área da saúde, apenas um milagre poderá assegurar resultados em um horizonte de um mandato, frente ao fato que não aceitariam a reeleição. Que os recursos do Pre Sal, já decantado há algum tempo, solução para todos os problemas do país, passe do contexto potencial para o real.

    Moradia própria e programas com finalidade social, entre outros, certamente, vão apenas mudar de mãos (ou ficar nas mesmas). Qualquer que seja o estilo de governo que prevalecer sabe que este tipo de postura é uma excelente fonte de manutenção de votos cativos.

    Reforma política nem pensar. Isso é assunto apenas para ser discutido na fase pre eleição. Os políticos brasileiros já se acostumaram a conviver na situação e na oposição e sobrevivem muito bem, indiferentemente, estando de um lado ou de outro.

    Quanto às CPIs em andamento, de forma progressiva, sairão das manchetes dos jornais, da mesma forma como o segmento político passará a não mais ter interesse em participar das mesmas.

    Portanto, faça uma profunda reflexão sobre isso. Volte a fazê-la na próxima eleição.

    Roosevelt S. Fernandes

    Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental e Social / NEPAS

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