Mundo terá 342 milhões de pessoas em situação de pobreza extrema em 2030

  • Previsão está em relatório que será apresentado na Assembleia Geral da ONU  nesta segunda-feira

Lucianne Carneiro (Facebook · Twitter)

Publicado:22/09/13 – 20h01
Atualizado:22/09/13 – 22h55

Assembleia Geral da ONU, em Nova York, onde relatório sobre pobreza será apresentado
Foto: AFP/STAN HONDA
Assembleia Geral da ONU, em Nova York, onde relatório sobre pobreza será  apresentado AFP/STAN HONDA

Mesmo no cenário mais otimista de crescimento da economia e de diminuição da  desigualdade de renda no mundo não deve ser possível zerar a pobreza extrema até  2030, como é a meta da Organização das Nações Unidas (ONU). Estimativa presente  no relatório “Investimentos para acabar com a pobreza”, da organização  independente Iniciativas do Desenvolvimento, prevê que o número de pessoas em  situação de pobreza extrema será de 342 milhões em 2030. No cenário mais  pessimista, diz o relatório, este número poderá alcançar 1,04 bilhão. E, na  melhor das hipóteses, será de 107,9 milhões, diz o estudo, citando dados do  Brookings Institution.

O relatório será apresentado nesta segunda-feira, na Assembleia Geral da ONU,  em Nova York.

Pobreza extrema é considerada aquela em que a pessoa vive com menos de US$  1,25 por dia. Uma das oito Metas de Desenvolvimento do Milênio, estabelecidas  pela ONU em 2000, era reduzir pela metade a população em pobreza extrema até  2015. O texto diz que o objetivo foi alcançado em 2010, antes do prazo. Em 2012,  na Rio+20, alguns líderes mundiais sugeriram como nova meta a erradicação da  pobreza extrema até 2030, proposta que foi aceita pela ONU.

O relatório aponta que a África Subsaariana deve passar o Sudeste da Ásia  como a região com maior número de miseráveis do mundo. Em 2010, eram 414 milhões  de pessoas, ou 34% de toda a população em pobreza extrema na África Subsaariana,  contra 507 milhões no Sudeste da Ásia. Em 2030, a previsão é que a África  Subsaariana ainda tenha 275 milhões no grupo, ou 80% dos miseráveis no mundo. Já  o Sudeste da Ásia deve ter recuo expressivo no número de miseráveis, para 46,3  milhões de pessoas.

“É improvável que apenas o crescimento econômico nos leve a zerar a pobreza  extrema a tempo. Crescimento será crítico para reduzir a pobreza, mas não rápido  nem inclusivo o suficiente. Mesmo nos melhores cenários, ainda teremos mais de  100 milhões de pessoas na pobreza extrema em 2030”, diz o relatório.

Governos gastam US$ 5,9 tri

Os governos dos países em desenvolvimento gastaram US$ 5,9 trilhões em  programas para reduzir a pobreza em 2011, mostra o estudo. O valor é quase o  triplo dos US$ 2,1 trilhões de recursos internacionais recebidos por esses  países naquele ano.

O relatório aponta que os gastos dos governos têm aumentando  significativamente. Mais da metade dos países em desenvolvimento viu essas  despesas crescerem mais de 5% entre 2000 e 2011. Na outra metade dos países, a  média de crescimento foi de 2,5%. Ainda assim, os países mais pobres continuam a  enfrentar limitações de recursos. Cerca de 82% dos pobres do mundo vivem em  países em que o gasto do governo por pessoa são menores que US$ 1 mil (em  paridade de poder de compra).

Uma das principais fontes de recursos para a redução da pobreza vem da ajuda  oficial ao desenvolvimento (ODA, na sigla em inglês). O valor chegou a US$ 148,4  bilhões em 2011 e cerca de dois terços vêm de cinco países: Estados Unidos,  Reino Unido, Alemanha, França e Japão.

O Brasil é o quarto maior doador desse tipo de ajuda entre os países que não  fazem parte da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimenot Econômico  (OCDE), com US$ 1 bilhão em 2010. Ao mesmo tempo, foi o 40º países que mais  recebeu esses recursos, no montante de US$ 1 bilhão também.

Leia mais sobre esse assunto em  http://oglobo.globo.com/economia/mundo-tera-342-milhoes-de-pessoas-em-situacao-de-pobreza-extrema-em-2030-10089210#ixzz2fiNNMIAi © 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

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