07.18.09
Gestão Roseana alugou prédio da Fundação Sarney por R$ 600 mil
FERNANDO BARROS DE MELLO
da Folha de S.Paulo
O governo do Maranhão pagou cerca de R$ 600 mil à Fundação José Sarney para alugar sua sede, o Convento das Mercês, durante a primeira gestão de Roseana Sarney (1995-2002). O prédio histórico foi doado pelo Estado à fundação em 1990.
O local foi alugado para sediar a mostra dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, realizada entre novembro de 2000 e julho de 2001.
A Folha questionou o governo do Maranhão sobre o aluguel e os motivos da escolha da sede da fundação para a realização do evento.
“As contas foram aprovadas e estão disponíveis no TCE”, respondeu, por e-mail, o secretário de Comunicação Social do Estado, Sérgio Macedo.
Roseana é filha de José Sarney, fundador e presidente vitalício da fundação.
A mostra dos 500 anos do Descobrimento do Brasil foi organizada pela Brasil Connects. O conselho da empresa é presidido por Edemar Cid Ferreira, dono do Banco Santos e amigo de Sarney. Três meses depois, os dois viajaram juntos para Veneza.
Segundo relatório de 2005 da Corregedoria do Estado, a contrapartida do governo estadual para a realização da mostra dos 500 anos estava prevista inicialmente em R$ 2,87 milhões, mas chegou a mais de R$ 4,3 milhões.
Por conta disso, a Corregedoria acusou Roseana Sarney de improbidade administrativa. O processo foi remetido à Procuradoria Geral da República, que o enviou para o Ministério Público Estadual. A Promotoria do Maranhão disse não haver nenhum processo sobre o assunto.
Segundo o estatuto da fundação, a receita para manter a instituição pode vir –além de doações, subvenções e legados– do “saldo da receita de suas atividades, quando determinar o Conselho Curador”.
Ainda de acordo com o documento, o diretor da fundação tem o poder de permitir a utilização onerosa ou gratuita das instalações da fundação para “cerimônias ou atividades cívicas ou culturais”.
Casamentos
O Convento das Mercês abrigou nos últimos anos festas de casamento e encontros partidários. Em 2003, por exemplo, o PP (Partido Progressista) pagou R$ 4.500 para realizar um “encontro do partido” no local. O PMDB também realizou uma convenção partidária.
Desde 1990, Sarney assina termos de delegação de poderes para o advogado José Carlos Sousa e Silva. Segundo a assessoria de Sarney, seu vínculo com a fundação é o de um patrono. “Nesse papel, ele tem defendido os interesses da FJS, sem que isso signifique responsabilidade administrativa.”
Procurado três vezes, o presidente da fundação José Sarney, José Carlos Sousa Silva, disse que já havia dado todas as explicações: “Isso tudo é preconceito contra nordestinos”.
Lei estadual de 2005 determinou a reintegração do Convento das Mercês ao governo do Maranhão.
Em um documento assinado pelo próprio Sarney em novembro de 2005, ele solicita à Mesa Diretora do Senado que ingresse “o mais breve possível” com uma Adin (ação direta de inconstitucionalidade) no STF contra a lei. O STF concedeu uma liminar que garantiu a permanência da fundação no prédio, mas a Adin ainda não foi julgada no plenário.
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Fonte: www.folha.com.br
ONG de filho de Sarney recebeu financiamento da Eletrobrás
da Folha Online
O Instituto Mirante, criado pelo empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), recebeu R$ 250 mil da Eletrobrás entre 2006 e 2007, informa reportagem de Hudson Corrêa e Leonardo Souza, publicada neste sábado pela Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).
De acordo com a Polícia Federal, Fernando beneficiava empresas privadas em contratos com o governo no setor elétrico, politicamente comandado por seu pai. Ele nega a acusação.
Conforme matéria publicada ontem pela Folha, a secretária do Conselho de Administração do Instituto Mirante Luzia Campos de Sousa, única funcionária da São Luís Factoring, é apontada pela Polícia Federal como agente financeira de Fernando. Na última quinta-feira, ela foi indiciada por gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e formação de quadrilha.
O tesoureiro do Instituto Mirante, João Odilon Soares Filho, também foi indiciado. Soares Filho é sócio minoritário da São Luís Factoring, cuja proprietária é a mulher de Fernando Sarney, Teresa Murad, igualmente indiciada por gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
O Instituto Mirante foi criado em 2004 como entidade sem fins lucrativos. Funciona no mesmo endereço do Sistema Mirante em São Luís (MA), grupo de comunicação que controla uma afiliada da TV Globo, rádios e um jornal. O principal dirigente do conglomerado é Fernando Sarney.
De acordo com o Ministério da Cultura, o instituto recebeu pela Lei Rouanet R$ 150 mil da Eletrobrás em janeiro de 2007. A soma foi destinada à realização de festas. Em abril de 2006, a estatal já havia patrocinado com R$ 100 mil uma festa do Carnaval maranhense. O contrato desta festa com a Eletrobrás foi assinado por Fernando Sarney.
Há uma ligação entre o Instituto Mirante e o suposto desvio de dinheiro da Petrobras pela Fundação José Sarney. Entre 2005 e 2008, a empresa repassou R$ 1,34 milhão para a recuperação de um acervo de livros e de um museu pela fundação.
Outro lado
Fernando Sarney afirmou não ter nada a declarar sobre o Instituto Mirante.
A reportagem da Folha não conseguiu localizar ontem Luzia Campos de Sousa e João Odilon Soares Filho.
Em relação à Eletrobrás, sua assessoria de imprensa não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem.
Leia a notícia completa na Folha deste sábado, que já está nas bancas.
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Fonte: www.folha.com.br
Lula conversa com Alencar por mais de 1 hora em hospital

Ricardo Sturcket/Divulgação
A visita do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao vice-presidente José Alencar, que está internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, durou cerca de 1 hora e 30 minutos. Lula chegou de helicóptero, às 10h10, e saiu do quarto de Alencar pouco depois das 11h30. De acordo com assessores da presidência, Lula encontrou o vice-presidente bem disposto, e os dois conversaram sobre política, futebol e economia. Inicialmente, os dois tiveram uma conversa reservada. Em seguida, a mulher de Alencar, Marisa, entrou no quarto e, posteriormente, os médicos do vice-presidente participaram da conversa. Ainda de acordo com assessores, Alencar estava sentado em uma cadeira, recebendo soro. No último boletim médico que divulgou sobre a saúde do vice-presidente, o hospital afirma que Alencar “apresentou alterações clínicas e de exames de imagens e laboratoriais, sugestivos de obstrução parcial”. Ainda não há confirmação sobre a necessidade de submeter o vice-presidente a uma nova cirurgia – o que será avaliado após o resultado de exames realizados na sexta-feira. Após deixar o quarto de Alencar, Lula embarcou no helicóptero e retornou a São Bernardo do Campo, no ABC paulista, onde está desde sexta-feira. A doença Alencar descobriu que tinha câncer em 1997, quando após um check-up foi encontrado um tumor no rim direito e outro no estômago, retirados naquele mesmo ano. Em 2000, uma nova cirurgia retirou um tumor na próstata. Depois da retirada de outros nódulos, agora no abdome, Alencar foi diagnosticado com câncer no intestino. Em janeiro deste ano, ele enfrentou cerca de 17 horas de operação para a retirada de nove tumores na região abdominal. Na mesma cirurgia, os médicos retiraram parte do intestino delgado, outra do intestino grosso e uma porção do ureter, canal que liga o rim à bexiga. Alencar chegou a ficar internado 22 dias após a operação. Contrariando as expectativas, no entanto, os exames seguintes apontaram a volta de 18 tumores na região. Uma nova cirurgia foi inicialmente descartada e os médicos optaram por um remédio em fase de teste no Centro Oncológico MD Anderson. O vice-presidente foi operado no último dia 9, para corrigir uma obstrução no intestino. Na ocasião, também foram retirados dez tumores encontrados na região do abdome. Foi a 14ª cirurgia a que se submeteu o vice-presidente.
Fonte: Redação Terra Vagner Magalhães Direto de São Paulo

