Líder norte-coreano faz 1ª aparição pública desde doença

Reeleito como líder máximo do país, Kim Jong Il não era visto publicamente deste setembro de 2008.
SEUL - Um visivelmente mais grisalho e cansado Kim Jong Il provou nesta quinta-feira, 9, que permanece como líder da comunista Coreia do Norte, ao presidir triunfante uma sessão no Parlamento, que marcou seu retorno ao centro do palco nove meses após ter sofrido um derrame. Kim chegou ao Parlamento e presidiu a sessão de 687 deputados da Assembleia Suprema do Povo, onde foi muito aplaudido e elogiado pelo lançamento de um foguete, evento considerado “histórico” pelos presentes, e visto como uma provocação pelo Ocidente e os vizinhos asiáticos da Coreia do Norte.
Kim despertou a curiosidade do mundo durante meses sobre sua saúde, após reportagens terem informado que ele sofreu um derrame cerebral e passou por uma cirurgia no cérebro em agosto de 2008 – a Coreia do Norte, oficialmente, sempre negou que ele tenha ficado doente. Kim recebeu com solenidade sua indicação para mais um mandato como chefe da poderosa Comissão de Defesa nacional, que sob a Constituição da Coreia do Norte o mantém como líder do país, enquanto seu pai, o falecido e fundador governante da Coreia do Norte, Kim Il Sung, permanece como “presidente eterno”.
“Ter o camarada Kim Jong Il novamente no mais alto cargo do país é uma grande honra e felicidade para nossos militares e povo e um evento feliz para todo o povo coreano”, disse um apresentador de televisão na emissora estatal. A mídia estatal não mostrou imagens atuais de Kim nenhuma vez entre agosto e outubro do ano passado, o que levantou questões sobre a saúde do líder e se ele havia se recuperado de um derrame cerebral. Isso gerou preocupação na comunidade internacional sobre a estabilidade do fechado regime comunista, que tem armamentos nucleares, no caso da morte do líder.
Kim parecia mais velho nesta quinta-feira, embora saudável, mas aparentemente teve uma repentina e drástica perda de peso. Apesar disso, estava claro que “Kim Jong Il não tem problemas para governar o país”, disse Yang Moo-jin, professor de estudos sobre a Coreia do Norte na Universidade de Seul.
Possível sucessão
Kim tem governado a empobrecida nação de 24 milhões de habitantes com autoridade total desde a morte do pai em 1994. Ele governa com mão-de-ferro e não permite nenhuma oposição. Tanto Kim quanto seu pai desenvolveram na população um forte culto às personalidades de ambos, com os retratos dos dois em várias ruas e em quase todos os prédios. De qualquer maneira, nenhum dos três filhos de Kim foi eleito para o Parlamento em março e acredita-se que nenhum deles esteja preparado para assumir a liderança.
Em uma significativa indicação nesta quinta-feira, o cunhado de Kim, Jang Song Thaek, integrante graduado do Partido Comunista, foi nomeado para a poderosa Comissão de Defesa. Jang é casado com a irmã de Kim e acredita-se que apoie o filho mais novo de Kim, Jon Un, de 26 anos, para a sucessão. Em outro movimento talvez relacionado à sucessão, o Parlamento norte-coreano aprovou uma moção para alterar uma emenda da Constituição. Nenhum detalhe foi divulgado, mas na década de 1990 a Constituição foi alterada para permitir a ascensão de Kim ao poder.
O governo da Coreia do Norte lançou uma campanha nos dias anteriores à sessão de abertura do novo Parlamento, primeiro com o controverso lançamento de foguete no domingo passado, depois com uma série de exibições públicas de documentários sobre a vida de Kim Jong Il. O governo de Pyongyang afirma que lançou com sucesso um satélite de telecomunicações, que estaria transmitindo do espaço hinos em homenagem a Kim e a seu falecido pai. Mas funcionários dos Estados Unidos e da Coreia do Sul afirmam que nenhum objeto foi colocado em órbita terrestre pela Coreia do Norte e acusam Pyongyang de usar o lançamento como desculpa para testar um míssil balístico.
Washington agora pressiona por mais uma condenação ao regime norte-coreano no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Mas o debate está paralisado porque a China, que tem poder de veto no organismo e é aliada da Coreia do Norte, não aceita mais sanções.
Fonte: www.estadao.com.br




